
Eu tive um sonho, durante uma massagem. Eu sonhei uma palavra. A palavra era
Fortaleza. Dita assim, com letra maiúscula no início. E no meio de absolutamente nada. Ela surgiu no vazio, veio sozinha. Para que não lhe fosse desviada a atenção, para que não houvesse dúvida (embora sempre há dúvida nessas cabeças grandes, que pensam demais)
Depois - ou antes - pensei, de forma mais elaborada que o sonho, sobre o susto pra mim que é saber que
o mundo é real. Dar-me conta do que, para algumas amigas minhas, é conhecimento trivial.. Pra mim não. É um choque pra mim fazer parte de um mundo assim.. real!
Sei que para elas esse espanto é um absurdo risível. E eu agradeço muito a elas por estarem comigo nessa vida, pois assim consigo sobreviver à minha nova descoberta: com amigas!
É como ser embriagada e de repente acordar sóbria pela 1ª vez na vida. Não, a minha vida não foi uma festa única e embalada à felicidade constante até agora. Sei que há dores, desde pequena sabia. Sei da tristeza, do abandono, do medo de que falte. Todas essas coisas que atribuímos ao encontro com a realidade.
Mas perceber que o mundo não é uma abstração, uma poesia, ou uma canção.. é outra coisa.
Tomar conta de que paredes são feitas de tijolos e não de palavras, que janelas são madeira e não portais, que teto é coberto de tinta e não de estrelas e nuvens. Ver que os degraus da escada não são meus pensamentos, e sim pedaços de ferro.. tudo estarrecedor que choro agora de espanto.
E quem sabe de tristeza por ser tão nova nesse mundo, e não saber como me comportar nele.. a toda hora precisar recolher-me para pensar, espantar-me de novo e outra vez, e descobrir como voltar a respirar. Como recolocar-me nesse ambiente estranho.
É isso. Me retiro pra trás da cortina, pra debaixo da barra do vestido da mãe que já partiu. Me retiro buscando força e aceitação do que sou, de como sou.
Fortaleza, a palavra.