segunda-feira, 13 de novembro de 2017

à noite, domingo


Vou a Itacaré, a Bologna, a Porto, vou até você
Você viaja, viajo em você
Você não me convida, fui esquecida, digo que vou te esquecer
Não há razão para não amar quem já amo, mundo escasso de sentimentos assim
Ainda – assim – queres que eu não queira
Rejeita o que por aí anda tão pouco usado
Sou tua, sem a posse e sem recomeço
Mas se não tenho teu endereço, não posso chegar
Se não me convidas, não posso entrar
Você viaja, eu te guardo no coração, para depois
Como na geladeira, na prateleira, na gaveta
Colecionar amores tardios e perdidos, sem tempo, sem localização precisa.
Perco-me, falho na fuga, no esquecimento, na raiva, no abandono
Desperdício de amor, re-luto. Mas é vida que segue, enterrar para nutrir a terra do que fomos de boa.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

poema da hora de dormir



Sou esse poema rasgado no seu coração
- Reescrevo -
Você é essa poesia rasgada no meu coração

Imaginado mistério, a surpresa do Tempo é nunca te encontrar.
Nunca saber, sequer sonhar

Você já foi e eu não tenho postais da nossa história.
Vida oral, não tivemos tempo de escrever.

Eu escolhi a partida.
Era tanto, era amor, acho.
Mesmo que não me reconheças, ou que eu ainda sinta medo.

sábado, 30 de setembro de 2017

pele



A cidade muda. Nós também. No lugar onde tomamos nossa primeira taça de vinho hoje se compra hamburger e milk shakes. O amor rejuvenesce. Lembro agora que foi lá que ele ajeitou os fios da minha sobrancelha, no meio da conversa, eu falando sei-lá-o-quê. O assunto que começava a me encantar não dizia palavra, éramos nós dois a história boa, as primeiras frases do conto, rima da canção, poesia do toque.

A cidade modifica seus cantos, nós os transformamos em memória. Passo pelo letreiro americano colorido e é difícil o dia que não desça em mim um detalhe, uma lembrança, um motivo. A sobrancelha é o mais querido, gesto de quem vai cuidar. Vou a quilômetros inventando as palavras que vistam a história, que contem pra mim o que foi aquilo que até hoje faz a barriga tremer e congelar quando desvio olho da estrada e vejo nós dois lá dentro, anos atrás.

Não posso mudar todos os roteiros dos meus dias, talvez olhar a cidade que muda seja uma das marcas que forme o painel desse Tempo. Pintura de mulher que anda na busca do próprio passo, do seu desejo, sua estrada. Como aquele café-hoje-lanchonete, outas ruas, prédios e quartos personalizam o que em mim ficou desenhado como amor. Sou mais caminho quando sei amar.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

se acontecer..


a minha beleza está bem aqui
onde ela me acha esquisita,
e ele me acha desleixada

aqui
onde ela me acha atraente,
e ele se sente atraído

a minha beleza está em mim
no que sou quando sou eu
e pra mim ela, que nunca é a mesma - nem está sempre nas mesmas posições,
é plena, em vigor e atitude

desbasto julgamentos que não me prosperam,
porque querem me podar – eu os corto antes!
consciente ou inconscientemente, censores alertam para os riscos
que não me incomodo em viver – solidão é parte da minha estrada

e numa taça de vinho arremato o que é tecido à minha volta
que o bem dos teus olhos vejam os meus,
assim como te espero,
feio ou belo
é tudo eu, tudo você.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

encontro


Pro tanto que eu me bastava

Só me faltava você







quarta-feira, 23 de agosto de 2017

na minha mão esquerda



A saída é escrever
Ache a saída!
Para de se perder nos corredores,
de fazer da tua vida um labirinto enfeitado de enganos

Olha a saída,
encara a Saída,
vai escrever!