sexta-feira, 24 de março de 2017

teimosia, mesmo ba(i)rro do amor



ah, ainda agora eu tento convencer meu coração a parar de bater








por você


(de um poema que conheci no siará: "coração é bicho difícil de esquecer")

quarta-feira, 22 de março de 2017

enquanto isso..


(@nathaliamirandafotografiarte)

ali do lado, flores à mão..

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

na boca, o gosto do peixe da Pepeta




Que grande peça me pregou quando fez de mim funcionária pública, especialidade “não ter interesse por nada que se produza aqui”.

Queria falar da saudade que sinto na boca do peixe cozido da Pepeta, de comê-lo catando as espinhas na mesa grande da cozinha, mas, ao olhar pro teclado do computador, minhas unhas que já podem crescer muito (por desleixo) pois já não sou mais digitadora, lembrei da minha compenetração em frente à máquina portátil da mamãe, 30 anos antes, escrever um texto pra um concurso literário. Eu queria ser escritora. E virei funcionária pública.

A escolha da grana veio com o título de manter a mim e à minha filha, que eu não precisasse de homem pra me prover, ou sustentar a minha filha. 25 anos e hoje depois meu filho questiona esse rumo, solta um 'logo você, optando pela grana..'. Com ele, por sua sabedoria e minha preferência pelo diálogo, geralmente escuto e lanço meu argumento, o que ele tem a me dizer eu não abafo com a minha construída "certeza". Falei pra ele dessa minha urgência em me bancar, da pouca idade que eu tinha pra refletir sobre questões mais existenciais (embora elas sempre andassem comigo, desde criança, é estranho.. ter e não ter, saber e não saber), e da falta de orientação externa para os cuidados com o desejo, a inspiração, a vocação.

Minha vocação literária, a ligação do que eu sentia com as palavras, o silêncio que me dizia tanto, eram entre mim e o mundo real, uma dúvida. 'Não sei' é uma resposta muito minha (e ultimamente, 'nem quero saber' também, rs). O isolamento, ensimesmada na minha existência, falava de uma fuga a esse mundo real, feito de pessoas reais demais, que eu achava que não me enxergavam. Meu conforto e minha pequena dor era ser invisível, ser deixada de lado, alívio era ter outro lugar pra ir, debaixo d'água, meu universo.

Hoje me sinto numa imagem que construí entre o sonho e estar acordada, um mergulho onde o mar sou eu mesma, meu pensa-senti-mento de mundo guardado num baú que eu preciso descerlá e abrir.

Mulher em tradução.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

arrumar a mala





No dia seguinte, não era mais ela.
Vagava vivendo.
Andava pra pensar como sentir-se mais preenchida de si.
Pensava muito, mas muito mesmo, nele.
Esticava seus braços para abraçá-lo sem que ele percebesse
Beijava suas costas em silêncio, à distância, como em sonho.

Saiu do bairro e foi andar pelo mundo.
Não queria o mundo, queria era deixar de pensar nele.
Mergulhada em si, descobriu – lembrou – coisas lindas.
Aprendeu a usar sua força de corpo,
Conheceu outras mulheres, viu sua história nelas também.
Teve ombro, teve colo, lhe vestiram, lhe banharam, lhe levaram pro cinema.

Das ruas, ficou com medo.
Dele estar nas ruas – e ele, ainda sendo ele, não ser mais o seu amor.
e ele – assustadoramente sendo ele – lhe fazer mal, sendo ainda o seu amor.
O estômago bagunçava sua incipiente ordem, mergulhado em paixão e receio.
Adentrava, escapulia. Se lançava, fugia. Acordava, dormia.

Ela sempre soube sobreviver.
Desde criança que estar entre estranhos e esconder-se era vida.
Ela disfarça trapos em nudez.
E talvez ninguém tenha ficado sabendo que destroço ela explodia todo dia, longe dele.
Ela esconde dor em silêncio. Às vezes até de si. Ela sobrevive.

Chove na sua horta.
Mas ela não sabe ainda colher. Desinteressa por plantar.
Só cresce mesmo o que é espontâneo que cresça, o que por si só escolheu estar aqui.
Abre portas e janelas mas não sabe colher.

Merece outra contação.
Que lhe retire da certeza de como é bom estar só
Que lhe transmute de volta à dúvida, apaixone-se.
Merece outro desaviso, outra imprevisibilidade.

Hoje espalhou-se para arrumar-se.
Encontrou a saudade no meio dos rebentos, tão criada em si.
Deixa as partes abertas, pra tomar ar e água sobre si.
A vida não tem conserto, há de andar-lhe quebrada.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

ponto de ônibus


Saudade desaquieta tudo.

Fico à procura de um lugar, como se chovesse.
Esperando que volte e eu não sinta mais.
Que chova e eu não me molhe.

Ou que você passe e eu nem perceba.
Que veja mas nem ligue.

Saudade,
seja ficção nos livros,
e me perca para outros assuntos nos caderninhos que escrevo.

domingo, 1 de janeiro de 2017

chuva



Você passou pela minha vida e é disso que me lembro.

Virei 2016/17 com família, postei fotos, grupos em mensagens, amig@s satisfeit@s.
E na hora de deitar, festança em família finalizada, lembrei que você passou um dia, alguns dias, certo ano, anos atrás, pela minha vida, e ela ficou diferente, eu mudei porque você passou.

Hoje que já não nos vemos, sua lembrança não é mais registro de lágrima ou dissabor. Também não é esquecimento.
Cito músicas, poesias, até sonhos, para dizer que amor assim demora em mim.
Que condições objetivas, racionalizações, são uma coisa; meu amor é outra.

Termina ano em belém, começa ano no mundo. Sigo adiante, penso minha história, você em mim.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

sintonia


Amar é um Tempo paralelo