quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Toda arrumação se trata de saudade
No carnaval fiz meu próprio cortejo..
andei pela casa,
conversei com as plantas,
tomei cerveja,
vi filmes,
dormi na rede,
madrugada com vinho e reflexões, leitura e escrita..
Certo diz resolvo arrumar a bancada do banheiro..
há milhares de coisas nesse lugar, desde que aportei neste lar,
há exatos 05 anos contados do domingo de carnaval.
Entre tirar a poeira,
separar o que já não serve mais pra minha vida,
enxaguar o pano de volta,
enxugar o rosto e tomar uma taça de vinho..
Tudo que se envolvia ali falava de saudade
Eu gravo palavras pelos cantos,
meu banheiro tem de declaração a desejos..
fui limpando os registros à medida que se superavam – ou que eu desejava que assim fosse – mas eis que há papeis esquecidos sorrateiramente,
e pessoas falam comigo e em mim enquanto eu arrasto a poeira e os objetos
Passo álcool,
aromatizador de 07 ervas,
acendo uma velinha para a boa sorte,
intenciono.
Saudade se cura com paciência.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
conta-se
O amor se conta em vários olhares.
Entre um homem e outro homem, o mais lindo olhar de amor que já vi.
Brilho, intensidade, respeito, admiração, afeto, paixão.
Naqueles olhos, que miravam o outro, todo o corpo, várias vidas ali depositadas.
Eu vi..
Tomaram banho e a toalha branca, contrastando com os cabelos negros molhados, era de despedida.
O silêncio revestia a minha observação, e meu olhar eu esperava que não afetasse nada,
o amor era um abrigo assim, de não estar e não ser..
Tantos pedaços se partem em mim enquanto caminho nessa vida.
Sei que há muitos passos, uns alegres, outros perdidamente tristes.
Descubro nessa aventura que foi tão bom que não merece ser lembrado como ruim.
É outro agora o olhar de quem ama.
Mas me abençoo pois já estive lá, deitando corpa naquele encontro,
encontrando o que buscava.
Os pés de novo na estrada,
um banho na cachoeira,
uma vida que se reencontra,
a natureza me explica,
eu saúdo,
e o amor me olha como se quisesse me contar..
domingo, 31 de janeiro de 2016
feita noite
Todos os indícios, todos os canais, não te farei
O que ainda somos nós, o que há nas entrelinhas?
Mais nada, meu amor, mais nada
Entretanto, o que há na pele exala e eu sinto o cheiro,
sinto o cansaço,
e sinto como é difícil nunca despedir-se, o ente querido que não se encontra o corpo, e o ritual se perde na ausência do simbólico.
Queria um adeus nominado,
que se encontrasse,
olho no olho,
com o amor.
Que dissesse ‘não dá mais’, e chorássemos juntas a importância de partir.
Procuro isso nas cartas, no trajeto até o ônibus, na viagem de férias.. não há
A loucura da vida é não saber no que vai dar
Boa noite, meu amor (ainda que seja tão longe)
sábado, 30 de janeiro de 2016
feita tarô..
Hoje o dia floresceu
Eu floresci
No tempo e universo das minhas próprias revelações,
um sussurro positivo da Imperatriz
Ao tocar em amor, eis que é uma Mulher quem anuncia as boas novas
Um amor feminino, criativo, cuidadoso, afetuoso
Se meu corpo tem as marcas que escolhi e outras de lembranças,
elas contam a minha história, repasso-as e no passo reconheço as trilhas
Andei para chegar onde estou
Enfeito a minha lua, desarrumo velhas ideias
e recolho-me em alegria pois já lá vem, de a-braços com A eremita, o amor!
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
por vozes internas
O menino mais lindo para quem abro minha casa e meu coração hoje me visitou.
Se mais perto, seria uma paixão.
Se mais longe, saudade.
Do nosso jeito, amor - em mim.
Oscilamos o que somos, entre uma e outra.
Eu escuto, e com voz escondida em minha história atual, falo.
Falo muito pro que as cordas estão disponíveis, falo muito também pra quem sou.
Mas não esvazio, como acontece às vezes. Me repreencho com a presença, com o silêncio, ar compartilhado, chá & café.
Ele também fala. Mas eu acho que não sei nada daquilo; presto atenção com amor, mas a viagem parece ser escutar outras linguagens.
Talvez os cachos do cabelo, ou os olhos quando desiste dos óculos.
O passo, o sorriso.
A voz quando embirra nas dificuldades com a 'classe média'.
Somos uma esperança nova, mas ele não sabe.
Renovamos a carcaça do mundo com o nosso amor, mas ele galhofa.
- Volta, esqueci do abraço na saída. E de uma foto nossa.
Fica pra nós os 'noves fora' e outros mistérios.
Se mais perto, seria uma paixão.
Se mais longe, saudade.
Do nosso jeito, amor - em mim.
Oscilamos o que somos, entre uma e outra.
Eu escuto, e com voz escondida em minha história atual, falo.
Falo muito pro que as cordas estão disponíveis, falo muito também pra quem sou.
Mas não esvazio, como acontece às vezes. Me repreencho com a presença, com o silêncio, ar compartilhado, chá & café.
Ele também fala. Mas eu acho que não sei nada daquilo; presto atenção com amor, mas a viagem parece ser escutar outras linguagens.
Talvez os cachos do cabelo, ou os olhos quando desiste dos óculos.
O passo, o sorriso.
A voz quando embirra nas dificuldades com a 'classe média'.
Somos uma esperança nova, mas ele não sabe.
Renovamos a carcaça do mundo com o nosso amor, mas ele galhofa.
- Volta, esqueci do abraço na saída. E de uma foto nossa.
Fica pra nós os 'noves fora' e outros mistérios.
sábado, 16 de janeiro de 2016
Que bom!
Fico por aqui olhando o tempo.
Manhã à noite, um tempo de escuta.
Se dá vontade – dá pouco – vejo a rua de perto.
Ou a rua de longe, beem longe, como outro continente.
Mas depois de alguns outros tempos olhando entre olhos e águas a dor,
a despedida,
o fim,
o desespero,
o chão tão perto,
o mundo tão longe,
as noites tão longas.. hoje chegou e eu fico de pé.
Fico de pé e alongando a alma avisto que não há planos.
Não há projetos.
Não há lista, ou promessa.
Andando pelo tempo quente,
aqui e ali suando um corpo potente e ainda empírico,
vou colhendo percepções para sonhos e viagens a outros tempos.
Tenho tempo para amar de novo.
Manhã à noite, um tempo de escuta.
Se dá vontade – dá pouco – vejo a rua de perto.
Ou a rua de longe, beem longe, como outro continente.
Mas depois de alguns outros tempos olhando entre olhos e águas a dor,
a despedida,
o fim,
o desespero,
o chão tão perto,
o mundo tão longe,
as noites tão longas.. hoje chegou e eu fico de pé.
Fico de pé e alongando a alma avisto que não há planos.
Não há projetos.
Não há lista, ou promessa.
Andando pelo tempo quente,
aqui e ali suando um corpo potente e ainda empírico,
vou colhendo percepções para sonhos e viagens a outros tempos.
Tenho tempo para amar de novo.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
a virada
Meu ano já terminou. Meu ano novo já começou.
Sou sagitariana do final de novembro. 47 anos.
Minha vida tá absolutamente desordenada, com ares de normalidade e trilhos bem dispostos.
Como não sei deixar contas em atraso, elas estão ok.
Como não sei muito falar de mim, tudo parece bem
Preciso parar de pensar. O motor das repetições está em alerta e eu, que não sei de ansiedade na vida, não entendo esse novo movimento em mim.
Sou calada, e esse barulho não me deixa dormir.
Jorge me diz que ficar tempo demais sozinha me potencializa e me destrói, pois me compatibilizo com quem sou e me amo, mas também entro em debate e paranoias assim
Daí então que preciso escrever. Preciso me comunicar com o mundo exterior. Preciso de outras palavras além das ‘minhas’.
Penso também em tintas, linhas. Dar uma volta por fora, passear com vontade pelo universo alheio.
Meu corpo quer encostar seu peso em um amparo. Minha vida quer balançar desengonçada em outra roda, outra alegria.
Preciso delicadamente iniciar-me em outra cura. Viver tá um desafio, quero partilha!
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