sábado, 30 de janeiro de 2016

feita tarô..


Hoje o dia floresceu
Eu floresci
No tempo e universo das minhas próprias revelações,
um sussurro positivo da Imperatriz
Ao tocar em amor, eis que é uma Mulher quem anuncia as boas novas
Um amor feminino, criativo, cuidadoso, afetuoso

Se meu corpo tem as marcas que escolhi e outras de lembranças,
elas contam a minha história, repasso-as e no passo reconheço as trilhas
Andei para chegar onde estou
Enfeito a minha lua, desarrumo velhas ideias
e recolho-me em alegria pois já lá vem, de a-braços com A eremita, o amor!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

por vozes internas

O menino mais lindo para quem abro minha casa e meu coração hoje me visitou.
Se mais perto, seria uma paixão.
Se mais longe, saudade.
Do nosso jeito, amor - em mim.

Oscilamos o que somos, entre uma e outra.
Eu escuto, e com voz escondida em minha história atual, falo.
Falo muito pro que as cordas estão disponíveis, falo muito também pra quem sou.
Mas não esvazio, como acontece às vezes. Me repreencho com a presença, com o silêncio, ar compartilhado, chá & café.
Ele também fala. Mas eu acho que não sei nada daquilo; presto atenção com amor, mas a viagem parece ser escutar outras linguagens.
Talvez os cachos do cabelo, ou os olhos quando desiste dos óculos.
O passo, o sorriso.
A voz quando embirra nas dificuldades com a 'classe média'.

Somos uma esperança nova, mas ele não sabe.
Renovamos a carcaça do mundo com o nosso amor, mas ele galhofa.

- Volta, esqueci do abraço na saída. E de uma foto nossa.
Fica pra nós os 'noves fora' e outros mistérios.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Que bom!

Fico por aqui olhando o tempo.
Manhã à noite, um tempo de escuta.
Se dá vontade – dá pouco – vejo a rua de perto.
Ou a rua de longe, beem longe, como outro continente.


Mas depois de alguns outros tempos olhando entre olhos e águas a dor,
a despedida,
o fim,
o desespero,
o chão tão perto,
o mundo tão longe,
as noites tão longas.. hoje chegou e eu fico de pé.


Fico de pé e alongando a alma avisto que não há planos.
Não há projetos.
Não há lista, ou promessa.
Andando pelo tempo quente,
aqui e ali suando um corpo potente e ainda empírico,
vou colhendo percepções para sonhos e viagens a outros tempos.



Tenho tempo para amar de novo.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

a virada


Meu ano já terminou. Meu ano novo já começou.

Sou sagitariana do final de novembro. 47 anos.

Minha vida tá absolutamente desordenada, com ares de normalidade e trilhos bem dispostos.
Como não sei deixar contas em atraso, elas estão ok.
Como não sei muito falar de mim, tudo parece bem

Preciso parar de pensar. O motor das repetições está em alerta e eu, que não sei de ansiedade na vida, não entendo esse novo movimento em mim.
Sou calada, e esse barulho não me deixa dormir.

Jorge me diz que ficar tempo demais sozinha me potencializa e me destrói, pois me compatibilizo com quem sou e me amo, mas também entro em debate e paranoias assim

Daí então que preciso escrever. Preciso me comunicar com o mundo exterior. Preciso de outras palavras além das ‘minhas’.

Penso também em tintas, linhas. Dar uma volta por fora, passear com vontade pelo universo alheio.

Meu corpo quer encostar seu peso em um amparo. Minha vida quer balançar desengonçada em outra roda, outra alegria.
Preciso delicadamente iniciar-me em outra cura. Viver tá um desafio, quero partilha!

domingo, 22 de novembro de 2015

mulher

sabe-se quantas muralhas somos
quantas mulheres
sabe-se quantas muralhas derrubamos todos os dias para vivermos e sorrirmos e gozarmos e sermos, por sermos mulheres.
sabe-se quantas de nós não suportam
e quantas de nós se odeiam, por mero treinamento
sabe-se quantas de nós adoram totens masculinos, sem que haja vontade expressa, mas conveniência
sabe-se quantas de nós são mortas.. a faca ou a palavra.. a tiro ou submissão.. a espancamento ou sufocamento de ser quem somos..
sabe-se que somos muitas, fomos muitas, seremos muitas, sempre muitas!
a cultura machista tenta nos aniquilar.. mas uma cai, duas levantam


não adianta.. mulheres sempre hão de pintar por aí
mais potentes, mais pulsantes
que eu, que duas, que dez, que dez milhões, todas iguais
até que nenhuma mais caia, e muitas continuem levantando!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Você volta
Eu não quero
Você não quer
Mas volta
Desequilibrada
Adoecida
Bêbada
Fugida em palavras torpes - quando há tantas flores para serem lidas entre águas

Não há mais o tempo
Nem agora, nem depois
O destino do que não tem tempo é descansar no vazio
Silêncio que não é de amor

A porta está fechada para letras gritadas
A janela ampara pássaros e árvores
Sou protegida. Nanã me circula 3 vezes todos os dias e noites, abençoando cada pensamenta minha.
Minha casa é rodeada de água: sal, lama e cachoeira..
Meu Sangue primordial escorre entre as plantas do jardim e fertiliza o mundo com amor.


Tenho amor. O resto não tem mais.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

sambo pra me rearranjar na sombra do meu tempo


O natural é quando eu simplesmente não lembro, deixo passar os dias sem a busca
.. não quando eu tenho que me controlar e esforçar para não fazê-la..
Tenho percorrido caminhos naturais, nos últimos dias.



Vendo um filme, sentindo um filme, a diretora da peça pede que vá mais devagar.. “doucement”, ela diz..
E lá vou eu pra fora da sala – pensamento – na intenção da beleza que é ser doce, por ser devagar..
penso no esquecimento do amor.
Do quanto eu já esbravejei com o tempo, e quis ser outra, outro, outras, pra esquecer por outras vias o que em mim só passava bem devagar
.. alternando força e dor, memória e raiva, lugares e cheiros..
o amor faz vias e espirais em mim que se fosse uma festa seria – como foi – linda e especial.

Acolho esse trejeito 'doucement' de aceitar a partida do sentimento.
Tantas vezes já disse, e pensei, que esquecer dói mais que lembrar.
Tenhamos afeto em nossas vivências, por nossos corpos.

Faço das águas intenção, teto, chão e morada.
Qualquer porção dela,
do gole ao mergulho,
me consola, me nutre, me acalma, me protege.

Desejo ainda não tem nome, mas está em mim. Eu desejo!



Volto pra sala.. o filme (O Olmo e a Gaivota)