segunda-feira, 16 de julho de 2012

segunda-feira

Ultimamente,

tudo se grafa com as letras do teu rosto: barba, cabelo e bigode.
tua pele na dobra da cintura,
teu olhar - quando me ama,
teus passos aflitos e dançantes.

como uma imagem que não existe,
como um homem que já não houve,
como a poesia que não foi escrita.

Tudo,
nessa casa do meu corpo,
transcreve ilegalmente você.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

das árvores


Seu cheiro andando sem corpo e sem roupa dentro do meu quarto.

Fecho a porta e sou só eu.

Não sofro, sorrio. A lembrança é doce, o cheiro é teu.

O dia fechado, inicia-se a madrugada.

domingo, 3 de junho de 2012

esse doce acolhimento de voltar pra casa

Meu coração se enche de corpos em poesia
Meu corpo, retributo, fascina-se de corações, todos sentidos vermelho.


Faço moldura redonda com ele, leves contornos de poesia cheiro de manga.
Cor de amarelo como numa estive.
Cajá, às vezes, lembrando-se sonho que não era meu.
Um suco e um jeito derramando-se por dentro e fora dos suspiros. Esses, meus.

Moro na cama branca no meio da vida.
Brevemente ancorada em onda e sal.. sagitário precisa sentir-se livre para ficar
É assim, como você disse.


domingo, 27 de maio de 2012

do que sinto saudade


qualé a parte
desde quanto tempo
porque
ainda quanto mais
de que tipo se trata

certo amor, certa paixão
que se leva pra rua e distrai as calçadas
permanecer não é estar
os roteiros não me explicam
sinto.

do teu tempo
cabelo, sorriso, passo, cheiro
da tua parte na minha - boca, voz, roupa, abraço.
de um silêncio que passa direto pelo meu barulho,
que cala tudo pra fazer amor.

de ser ouvida
de ser tocada
de ser gostada
da mão no meu peito
(de um certo sujeito)

saudade de estar livre e perdida na pele do outro
e de que o outro seja você também sinto saudade, quando não estás aqui.
saudade de pernas de um lado pro outro, e do barulho se calando porque chegaste
(não era antes você) (mas já era eu)

sou eu sempre. comigo, sempre.
Pele suja, manchada, língua seca. Pouca voz, muita palavra.
Eu no sapato, cadernos, colares, cores.
Eu na bagunça, na desordem, nos sonhos e no sono.
Eu na saudade.

é de você que sinto saudade. Do que encontro em ti e do que me trazes, sem que eu queira ou peça, ou que por menos eu saiba.
De você de todo jeito e por todas as partes.
De um inteiro que eu nem conheço, só quando o meu olho encontra o teu é que sugiro

(saudade de não termos todo o tempo entre as nossas gerações.. mas coragem para amar mesmo assim)

Saudade quando passamos por cômodos diferentes da casa, ou quando tu sais e eu fico. E quando tu ficas e eu saio, também
Quando de um lado do telefone, um, do outro lado, outro.
Ou de um lado da máquina um, do outro lado outro.
Quando numa cidade um, noutra cidade outro.
Ou numa festa um, noutra festa outro.

Saudade só se acomoda feito o gato gordo na conchinha das minhas pernas quando encontramos a alegria e a dúvida que nos veste, tiramos tudo, jogamos no chão, e ao nada nos entregamos.

Saudade deita-se no amor e sorrindo adormece..


segunda-feira, 21 de maio de 2012

eu nunca soube realmente como seria..



Passeando
de pele a rua
Sorrindo
da boca ao resto

Falta muito ainda pr'eu entender,
e pouco pr'eu te tocar

Tem o silêncio, o beijo
a dança, a saudade
Tem o suor, o cheiro
a vontade, a árvore
Tem o afeto, o olho
a nuvem, a pedra

Tem eu
Tem você
Tem eu
Tem você

E lá, depois,
na curva,
no coração,
na estrada,
na praia,
no sonho,
na vida,
tem nós


domingo, 13 de maio de 2012

por la nuit

você é só você
nesse fim de mundo
que sou eu


um tal romance
essa minha escolha
você

quinta-feira, 3 de maio de 2012

por dia

manhã
você desce do ônibus, eu começo a sentir saudade..
vou preenchendo os espaços
mando mensagem
faço silêncio
programo desnecessariamente o que não vai acontecer
e sindo saudade..

tarde
tempo enquanto tento
paciência enquanto não consigo pensar em mais nada
a hora de te ver
o jeito de te ver
a chance do teu abraço é o que espero,
no tempo em que te espero

noite
me viro de lado
e pelo avesso, às vezes
não consigo mais lembrar de um só sonho dos que durmo
porque acordo e vejo você, e esqueço o que tinha antes na memória