Não sou uma pessoa de certezas
E as dúvidas que tenho não são do tipo fáceis e triviais, do tipo, ‘dorme que passa!’.
Ando, ando, ando e, quando tô quase chegando, penso: é isso mesmo que eu quero?!
Faço isso quase o tempo todo, numa fragilidade irresponsável, porém legítima.
Minha amiga Duda às vezes perde a paciência e, cheia de amor, me diz pra mudar de assunto.
Alegria demais me espanta,
Certeza demais também!
Entre melancólica, pessimista ou contemplativa, arrisco-me na última. A figura que contempla não sofre o tempo todo, nem acredito que tudo vai dar errado comigo, mas, olhando muito e só olhando, não consegue afirmar, nem ter certeza cravada de nada! Eu contemplo e, se às vezes balanço a cabeça – pelo sim ou pelo não -, foi um movimento enviesado e encabulado de dizer: não sei..
Por isso é que quando acreditei no amor fiquei toda radiante e saí falando disso por todo canto: “sou monotemática, só sei falar de...”
É claro que algumas pessoas ficaram insatisfeitas, outras nervosas, algumas irritadas, e começaram a colocar sal no bolo, tipo me mostrar o lado cacete, cruel, decadente, escroto e fudido da vida, das pessoas, do mundo.
Alôooou! Eu sei disso! Tenho 41 anos, já morri com uma filha nos meus braços, já sofri porque alguém não me amou o suficiente, sou filha de militar, já menstruei numa trilha de 3 dias no mato, já voltei do embarque do que eu esperava ser uma bela viagem por causa de um documento, já arrombaram meu carro 2 vezes, já fui sacaneada por uma grande amiga..
ou seja, já fui da maior dor, pra pior sacanagem, às contingências tristes da história de vida.. e por aí segue-se.. eu segui.
E foi por viver tudo isso que mais me surpreendi quando dei de cara com a alternativa possível e querida de só escrever assim!
Então, aquela gota de baunilha, ou cardamomo, no café, que alegra o sabor ou que nos faz lembrar da infância, esse toque sutil em mim tem o nome de amor. É bobo, como já disse, porque sendo bobo pode ser simples e despretensiosamente feliz. Pode ter o nome de vermelho, ou saudade, ou tatuagem.. as letras dele são todas, não só 4, como em ROMA. Aliás, prefiro Paris!
Olhando pra mim acho que pouca gente vê, mas também não é preciso do mundo todo: como eu disse antes, uma rede, um banco de madeira na varanda, uma mesa no quintal e um chuveiro ao ar livre..