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sexta-feira, 15 de abril de 2011

de mudança



se você passasse pela minha rua,
não seria o caso d'eu mudar de calçada..

..e sim de te abraçar!

sábado, 9 de abril de 2011

dos muitos títulos possíveis, gosto, entre outros mais confidenciais, do ESTOU DE VOLTA

Do que sinto não foi ao teatro comigo
nem à mesa do jantar.
Tudo bem,
mas não do que sinto.
Do que sinto, um pouco naquele presente,
mas nada no disfarce acompanhante
Do que sinto, ainda não comuniquei o desaparecimento
não soube que morreu, apesar não saber se ainda é
Do que sinto pode ser uma ilusão, fantasia, imaginação,
afinal, além de ir a filmes infantis, ainda gosto de sonhar!
Do que sinto, um pingo, respingo.
Eu não sentia mais sequer a brisa, ou a lembrança,
por isso quis tanto ir embora,
por isso fui. Eu queria do que sinto, e nunca mais encontrava ali

Do que sinto, não sei como tocar, como alcançar o céu que era meu espelho, como imaginar na rua.
Não tenho pressa, ok, pois agora vivo no meeeeu tempo. Às vezes tomo veneno pelos olhos e ouvidos e quero os passos dos sapatos que não são meus. Não servem. Eu tenho inveja porque na maior parte do ‘tempo’ é bom ser igual e não ter essa estranheza entre os olhos. Mas sei. não serve

Do que sinto anda como lhe serve,
mas recebe no coração o como me serve que é meu.

Do que sinto ainda não consigo tocar. Pois foram as miiiinhas paredes que descasquei, furei, cortei, quebrei, não as dele.
Sem o que sinto, não sinto. saudade. Não sinto vontade, parece um engano. Saio de saia para encontrar-me com uma ciranda, mas às vezes somente o mesmo, ainda que comedido.. menos do mesmo!

Por tempos andei assim, sem o que sinto. No lugar, uma mochila cortando o choro, pesada de conciliações e desejos não concedidos. Nada do que sinto dentro dela, espaço todo ocupado com o que devo.
Devia. não devo mais!
Basicamente, mantive somente o que era primordial. Basicamente, o básico.
uma bolsa, uma casa, uma vida.. com o que sinto dentro

um porta retrato imaginário conta a história do dia que o mundo foi criado para sentir aquilo tudo
hoje já tem celular, com mensagem, pré pago, pós pago, roubado, com internet, multifunções, fazendo interurbano até sem passar pela telefonista
mas tudo daquele mundo criado pra mim, que eu deixei cair sem querer na beirada de um quarto-e-sala é o que tento transmitir, o que visto quando quero me apaixonar, o que uso em volta do pescoço, como talismã!
Sei, joguei no cesto da roupa suja!
Sei, dei de volta pro mundo de todas as vontades
Sei. e não quero mesmo a posse de um objeto que seja gente,
e não gosto daquele gosto perdido que dá o esquecimento de dentro da gente

não fui embora,
fiz foi chegar.
estou é de volta!


sábado, 4 de setembro de 2010

eu penso nisso


Não sou uma pessoa de certezas
E as dúvidas que tenho não são do tipo fáceis e triviais, do tipo, ‘dorme que passa!’.
Ando, ando, ando e, quando tô quase chegando, penso: é isso mesmo que eu quero?!
Faço isso quase o tempo todo, numa fragilidade irresponsável, porém legítima.
Minha amiga Duda às vezes perde a paciência e, cheia de amor, me diz pra mudar de assunto.

Alegria demais me espanta,
Certeza demais também!
Entre melancólica, pessimista ou contemplativa, arrisco-me na última. A figura que contempla não sofre o tempo todo, nem acredito que tudo vai dar errado comigo, mas, olhando muito e só olhando, não consegue afirmar, nem ter certeza cravada de nada! Eu contemplo e, se às vezes balanço a cabeça – pelo sim ou pelo não -, foi um movimento enviesado e encabulado de dizer: não sei..

Por isso é que quando acreditei no amor fiquei toda radiante e saí falando disso por todo canto: “sou monotemática, só sei falar de...”
É claro que algumas pessoas ficaram insatisfeitas, outras nervosas, algumas irritadas, e começaram a colocar sal no bolo, tipo me mostrar o lado cacete, cruel, decadente, escroto e fudido da vida, das pessoas, do mundo.

Alôooou! Eu sei disso! Tenho 41 anos, já morri com uma filha nos meus braços, já sofri porque alguém não me amou o suficiente, sou filha de militar, já menstruei numa trilha de 3 dias no mato, já voltei do embarque do que eu esperava ser uma bela viagem por causa de um documento, já arrombaram meu carro 2 vezes, já fui sacaneada por uma grande amiga..
ou seja, já fui da maior dor, pra pior sacanagem, às contingências tristes da história de vida.. e por aí segue-se.. eu segui.
E foi por viver tudo isso que mais me surpreendi quando dei de cara com a alternativa possível e querida de só escrever assim!

Então, aquela gota de baunilha, ou cardamomo, no café, que alegra o sabor ou que nos faz lembrar da infância, esse toque sutil em mim tem o nome de amor. É bobo, como já disse, porque sendo bobo pode ser simples e despretensiosamente feliz. Pode ter o nome de vermelho, ou saudade, ou tatuagem.. as letras dele são todas, não só 4, como em ROMA. Aliás, prefiro Paris!
Olhando pra mim acho que pouca gente vê, mas também não é preciso do mundo todo: como eu disse antes, uma rede, um banco de madeira na varanda, uma mesa no quintal e um chuveiro ao ar livre..