segunda-feira, 30 de outubro de 2017
poema da hora de dormir
Sou esse poema rasgado no seu coração
- Reescrevo -
Você é essa poesia rasgada no meu coração
Imaginado mistério, a surpresa do Tempo é nunca te encontrar.
Nunca saber, sequer sonhar
Você já foi e eu não tenho postais da nossa história.
Vida oral, não tivemos tempo de escrever.
Eu escolhi a partida.
Era tanto, era amor, acho.
Mesmo que não me reconheças, ou que eu ainda sinta medo.
sábado, 30 de setembro de 2017
pele
A cidade muda. Nós também. No lugar onde tomamos nossa primeira taça de vinho hoje se compra hamburger e milk shakes. O amor rejuvenesce. Lembro agora que foi lá que ele ajeitou os fios da minha sobrancelha, no meio da conversa, eu falando sei-lá-o-quê. O assunto que começava a me encantar não dizia palavra, éramos nós dois a história boa, as primeiras frases do conto, rima da canção, poesia do toque.
A cidade modifica seus cantos, nós os transformamos em memória. Passo pelo letreiro americano colorido e é difícil o dia que não desça em mim um detalhe, uma lembrança, um motivo. A sobrancelha é o mais querido, gesto de quem vai cuidar. Vou a quilômetros inventando as palavras que vistam a história, que contem pra mim o que foi aquilo que até hoje faz a barriga tremer e congelar quando desvio olho da estrada e vejo nós dois lá dentro, anos atrás.
Não posso mudar todos os roteiros dos meus dias, talvez olhar a cidade que muda seja uma das marcas que forme o painel desse Tempo. Pintura de mulher que anda na busca do próprio passo, do seu desejo, sua estrada. Como aquele café-hoje-lanchonete, outas ruas, prédios e quartos personalizam o que em mim ficou desenhado como amor. Sou mais caminho quando sei amar.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
se acontecer..
a minha beleza está bem aqui
onde ela me acha esquisita,
e ele me acha desleixada
aqui
onde ela me acha atraente,
e ele se sente atraído
a minha beleza está em mim
no que sou quando sou eu
e pra mim ela, que nunca é a mesma - nem está sempre nas mesmas posições,
é plena, em vigor e atitude
desbasto julgamentos que não me prosperam,
porque querem me podar – eu os corto antes!
consciente ou inconscientemente, censores alertam para os riscos
que não me incomodo em viver – solidão é parte da minha estrada
e numa taça de vinho arremato o que é tecido à minha volta
que o bem dos teus olhos vejam os meus,
assim como te espero,
feio ou belo
é tudo eu, tudo você.
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
na minha mão esquerda
A saída é escrever
Ache a saída!
Para de se perder nos corredores,
de fazer da tua vida um labirinto enfeitado de enganos
Olha a saída,
encara a Saída,
vai escrever!
domingo, 20 de agosto de 2017
debaixo dágua espelho do amor
Paula ‘escreve’ no celular. Eu, na caderneta.
Já nos conhecíamos, e nunca havíamos nos visto.
Paula me abordou no show, pé quebrado, parede de apoio. Eu passava, cerveja na mão, sem paradeiro, espiando Arnaldo Antunes, me emocionando com qualquer coisa que se sinta.
Me emocionei com Paula.
E conversaaaaaamos, apareceu um segurança solícito e uma cadeira. Apareceu um amigo dela legal e mais uma cerveja. Eu saí da conversa e fui pegar uma pra mim. Eu voltei pra conversa, inexplicavelmente em se tratando de mim, que sempre articulo – e uso – rotas de fuga.
Há 18 anos atrás eu pari uma menina de cabeleira preta, linda. Seu nome passou a ser Maria Paula, precisávamos nomear aquele futuro de saudade que viria (certidões de óbito não admitem nome próprio – a burocracia não acompanha a urgência do amor)
Desde então, Paulas são filhas minhas, são mulheres do meu profundo respeito, admiração, cuidado, afeto.
Chamei Paula pra um sarau. Ela disse que viria e escutaria. Eu lhe disse que era assim também que eu achava que poderia. Mas que também sabia que era preciso mais, que era político, sendo pessoal, que nós precisamos falar, ocupar o palco, ouvir nossas vozes no microfone.
Ela disse que se eu falasse, ela também falaria. Eu prometi que falaria. Quero ouvi-la falar.
Paula tem 33 anos, eu tenho 48. Números circulam entre si, na minha vida gerações se encontram e se consideram mutuamente, no amor. Nem sempre conseguimos retomar amores, mas podemos tomar pra nós o que é nosso, de alegria, coragem e afeto.
Paula me afeta.
Ando pelas ruas sozinha de pessoas, embora agora pessoas também me interessem. Mas não tenho construção simplificada pra essa busca, então nem sempre elas estão por perto. Mas volto a dizer para que todas saibam e me acolham e para que eu saiba: pessoas me interessam. Caminhar sozinha é uma conquista! Aprender é um ato político. (eu gosto de ficar só, mas gosto mais de você. andando sozinha eu posso conseguir perceber o quão é bom e especial andar com você, um dia)
Ontem foi uma noite de boas estadias. Chorei ouvindo Arnaldo Antunes. Dediquei uma paixão antiga ao Tempo, mandei-lhe música no meio do show. Ouvi e falei. Senti. Sentei. Tomei cerveja e escrevi na minha caderneta. Re-conheci Paula. Tudo ao acaso, naquele vento do estacionamento ao ar livre, no pátio, na vida.
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