sexta-feira, 4 de agosto de 2017

tum

O coração é um desarrazoado.


Invento firulas para pensar no mesmo pretexto,
perdição de sentir,
permissão pra insistir.

Insisto em mim,
a intenção é boa.

Mas os caminhos que às vezes me ponho a andar,
esses poderiam ser mais suaves,
doer menos os pés, as pernas, os dedos, os braços..

dói-me tudo a caminhar pelos mundos,
só porque o coração não quer esquecer

quinta-feira, 20 de julho de 2017

ponto de árvore



Já eu, tenho saudade
sinto falta, tenho vontades
tenho tanto o que dizer, eu, que não gosto muito de falar
mas até do silêncio queria dar notícia

hoje encostei na árvore tão querida e comecei a lamuriar
ela, meio entediada, pediu que eu falasse de adiante, que olhasse e desejasse o depois
fiquei calada, não soube fazer
ela, firme compreensiva, escutou o sonho que ainda não sabe se dizer, ouviu o que eu sentia
da voz que não saiu, soube do meu coração

passou o ônibus, segui para o até amanhã



terça-feira, 4 de julho de 2017

noite

a ventania arribou o mundo
meu amor já tinha avuado antes
naquela esquina de largo
naquele grito de pouca voz

o telefone ficou mudo,
eu não tinha mais pra quem falar
tinha uma voz que era o choro
pouco se sabe de quem sofre

a árvore requebrada de vento
veio dar na minha varanda
onde a gente se estendia pano colorido
galhos findos
quebrou-se
o amor

domingo, 2 de julho de 2017

do dia



Um dia pra tudo não dá
Pra tudo que sonhamos ser, um dia foi pouco
Um dia não chega a ser o tempo que precisamos para amar
Não dá pra viver tudo, um dia
Nem dá pra entender que acabou
Um dia é pouco
Um dia foi tudo
Se pensas que pode ser diferente, fazes

Um dia
Pra tudo
Não dá

segunda-feira, 26 de junho de 2017

a noite


Hoje eu quero dormir mais sozinha.

Pro lado de fora do quarto, expectativas alheias, vitimismo forçado socialmente.
Fecho a porta do meu quarto; do que tenho, quero ficar só.

Fiz algumas pazes, me reconciliei com mistérios, abrandei ressentimentos, amenizei os adeus.
Aceitei as partidas, ensejo-me inteira.

Durmo só, inteira. O pensamento não está lá, o afago está aqui.

Imagino, num lugar distante, quiçá outro mundo, um marinheiro repousando no mar, no movimento que o mar traz aos sentimentos.
Sou eu. Sou ele.

Aceito minha fé, desconhecida do rumo, do sujeito, do paradeiro.
É quem sou. Gosto de ser quem sou.
Deito em cada dia que quer adormecer ao meu lado, no silêncio, velha e louca.

Venho de longe, e ainda demoro a chegar.
Me distraio em meus tropeços, uso álcool também por isso, distração, amor e fuga.

Sei que há o meu caminho, e ele tem água.
Desenhei barco no corpo para que eu tenha condução em mim;
e folha para balançar na terra também, não ser tudo sempre uma coisa só.

Sou mais que uma coisa só.

Aceito partidas.
Ensejo-me inteira.
Aguardo chegadas.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

lembre - se..


teu cheiro na tua roupa que virou minha roupa secreta sagrada

teu cheiro que virou meu cheiro,
eu sem querer lavar,
pra não levar de vez a lembrança do paladar -
- tua boca no meu beijo que fica procurando pra quem todo esse amor que tem


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Flores

(Pra ela. E ela)



Caminhava em frente, pra chegar ali, quando fui surpreendida, meus passos se desviando, ao tempo em que eu já sabia que não iria mais em frente.
É quando encontro ela. E ela.
É no desvio que aparece o amor.

Espalha-se a sorte, a palavra, o abraço, a cor do vestido, as mãos que balançam ideias;
ali, na minha frente, tão bonita.
tão bonita.

Fala-me do mundo.
Me ajuda a acreditar.

Retorno o caminho, guiada pelo mesmo cheiro que me tirou dele, a flor do desejo da vida que ama.
A vida dela.
E a dela.
E a minha.

À frente, o debate dentro de mim.
Esvoaço pensamento, entro na sala pelas escadas.