domingo, 9 de fevereiro de 2014

a não festa

Na árvore do tempo amanheceu o domingo. De novo, meu corpo ergue o resto, ele mesmo reconstruindo-se na manhã. Decido que vou, que saio, que continuo.
Manhã de pessoas no céu de domingo. De passos, estratégias da busca e do não-encontro. Às vezes também me deparo por esses dias sem tropeçar em nada.
Correndo na orla o tempo do dia. Correndo passado, presente e o resto. Na casa vermelha, não há planos. Porque ainda não há tempo.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

lama



Não dá pra viajar toda vez que a tristeza se instala no coração de uma filha de Nanã em Sagitário

Não dá pra pedir licença no trabalho e dizer que a saudade é tanta que a cidade fica pequena e dentro de mim não tem lugar sobrando nem espaço ocupado.. não dá pra explicar pro chefe que o que falta e sobra escorrem na mesma largura e dimensão em mim

E no silêncio da repartição pública, meu coraçãozinho miudinho reparte-se em sôfregos sussurros.. quando você receber uma mensagem minha, saiba que é um suspiro o que eu quero pronunciar, mas as teclas desse meu celular arcaico/moderno não captam essa distância que a minha alma hoje trilha

Não dá pra sair daqui, assim como não dá pra estar em outro lugar. O confinamento de uma dor sem nome, de um amor ferido, de uma vida passando, é um bilhete único, fecho os olhos, e, nesses dias, aquela mesma paisagem que só sabe me consolar dizendo.. ‘vai passar’..

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

feixe de luz


Quando chove assim a poesia escorre,
pingos na parede antes agasalhada.

memórias na minha pele
o cabelo molhado de sagrado muda de cor.
O gozo também é uma chuva dentro da mulher.
(quantas de mim chove em mim?!)

As paredes são a pele da minha casa
No meu corpo, casa, mais pele irradia poder.
É a barriga, é o peito, é a chuva, é a gota que pinga do meu coração.

Charco. Nanã.
Partes surradas, suadas, na lama desabrochando flor.
Re-parte. Depois liga.
Gruda amor no meu coração que amor não se esfarela nem com tiro, nem com água.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

girando, girando


Eu pulo a cerca
Eu furo o cerco
E saio dançando - com você!

Uso um pingente imaginário que diz:
siga o seu coração!
Não é a cabeça, nem a bunda.
Não é o do mestre, nem o da amiga.
É coração. O meu.

Custou entender que sentir é o saber.
Assim é que hoje meu portal é meu interno.
É pra cá que vou!
Tratei as dores com Cura Prânica
E sonhando ouvi os melhores conselhos.

Fluo através das cercas.
E só me enxergam com os olhos do amor.
Danço para além do cerco,
da curiosidade,
da especulação,
da ira,
da maldade,
(tudo coisa nossa, de gente)..

Bailo adiante em sorriso,
com meus protetores,
com meus guias,
com o amor.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

a bela estação

Vamos viajar juntos, acampar fora do mundo

Fazer comida em fogareiro, resgatar alimento dos sonhos
e dourar os sorrisos nos dois lados à luz do sol

Vamos banhar em cachoeira,
ruma de vento,
argila no corpo,
corpo um no outro,
nós num encher de muita água doce,
lugar que ainda vamos inventar, quando chegarmos lá

Na mochila,
o que não deu tempo nem jeito de lermos antes juntos,
os desenhos que vamos fazer,
um cobertor que caiba nós dois por aconchegados,
uma música, um poema, uma fruta, uma ideia, uma liga pro cabelo, uma declaração de amor, ingressos pro cinema, uma foto 3x4 de cada um de nós

(só a poesia responde a poesia)

Antes do primeiro passo da chinela nessa que seria a nossa estrada de vida, tive saudade

Depois que atravessei,
tive sorte
sorriso
& companhia, do amor

domingo, 6 de outubro de 2013

A Rosa

Cada 'fuga' é um sem paradeiro.
Novamente eu, mas ainda por descobrir.
Cada olhar onde me vejo, um novo enigma e um novo paraíso.
Eu de novo, mas em outra forma
Eu rosa,
eu pedra,
eu arbusto.
Eu tu,
eu-ela,
eu e o meu amor.
Somos essa peça transgressora da brincadeira.
Que pula do tablado e vai ao chão parecer-se.
E no abraço se regenera,
e no beijo se compreende

Para des-compreender-se depois
Pois nunca soubemos ser um coisa só

Exceção de quando somos
AMOR

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

por mais que seja


Toda quarta feira é feriado,
Iansã!
Biquíni na bolsa
Sorriso na roupa
Malícia no corpo
.. E sigo em rearranjar o meu coração!

Uma festa de ternura
Um baile de danças nuas
Uma fita colorida
Um sorvete
Uma aliança de soltar gente feliz no mundo

Esse convite que te faço
É bordado de encanto
Fica assim meu coração em cadeira de balanço,
balançando,
balançando,
Enquanto o corpo todo entra na água
Salva o sal de amor
e beija a vida, em tu!