domingo, 15 de setembro de 2013
tic-tac, não.. calma
Dá-me tempo para despedir-me.
Não falo de um relógio novo.
Nem um calendário com dias riscados
Preciso da delicadeza, da espera, do conforto.
Tempo para o beijo e o adeus.
Para que, com calma, com olhos, com afeto,
eu possa partir do nosso amor.
Para que em mim não fique só a dor,
mas também os bons encontros, as descobertas, as brincadeiras.
Desse jeito.
Sem o contador do tempo marcar a hora de sair.
Com meus passos leves e meu olhar amoroso.
Poderei finalmente colocar mochila/casa nas costas
e prosseguir minha trilha
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
pelo que há (etéreo e amoroso)
DENTRO.
da aquarela, do depois como agora, do prato, do vinho, da rua, da cama avulsa.
e de mim.
FORA.
da vida, do dia, das paredes-concreto, da fantasia persecutória, do roteiro.
e de mim.
são noites perambulantes, madrugadas que procuram aconchego
um gole,
uma sede,
um filme.
meu perdido.
quarta estação,
achado na rua,
no começo - julho, 02
no meio do tempo que eu não sabia mais.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
machos, fêmeas & outros objetos
Se pessoas fossem objetos.
O músico seria o violão.. melhor proveito
O poeta seria um papel
O amante.. amante!
A datilógrafa seria a máquina
A funcionária pública seria um carimbo.. com ou sem fé pública
A amante.. amante!
Não há gênero para o amor.
Nem matéria definida pelo machismo que o aprisione.
A palavra oca e rude não o submete,
prefiro certo objetos a certas pessoas!
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
loteria
lambuzados, não sei que bichos eram
confundiam-se com qualquer coisa, ou lugar que não há
e se.. o fim do dia fosse o fim da vida?
nada mais depois, olhar pra trás e admirar-se.
Admirar-te
se se.. a única competência fosse o amor?
ia a garota da papelaria capacitar-se.. nos braços do moço do jardim.. nos beijos da menina que fazia cerâmica..
os raros espécimes lambiam-se,
chegando
lábios roxos,
olhos fixos-fechados,
corpos trêmulos
extenuados,
dormiram até que a consciência do outro dia lhes chegasse.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
cozinha
Os cheiros não pedem perdão.
No meu corpo, procuram às vistas.
Não sentem, não há.
Saudade ressonando
Casa no mar do Pecém
Filho na barriga, antes do mundo
Rosa que minha mãe gostava
Me espera!
Onde não pareço é que sou.
A sina de enganar, de mentir, de esconder
O custo de ir pro lado que o coração não autorizou.
Cumprido o contrato pelas letras miúdas.
Sou menor.
Não aprendo gente grande infância nenhuma.
O prazo avançando, o tempo inexistindo, e eu ali..
na beira sem cair,
no sal sem ser mar,
flutuando sem voar,
molhando sem correr pro rio
A filha que esqueceu de te chamar de mãe
Toda água, minando, segurando o jorro com a violência da palavra mal-dita.
Abecedário incoerente. Farpas de interpretação,
falhas de cognição.
Não faço. Não sinto. Não sou.
Essa sou eu.
No meu corpo, procuram às vistas.
Não sentem, não há.
Saudade ressonando
Casa no mar do Pecém
Filho na barriga, antes do mundo
Rosa que minha mãe gostava
Me espera!
Onde não pareço é que sou.
A sina de enganar, de mentir, de esconder
O custo de ir pro lado que o coração não autorizou.
Cumprido o contrato pelas letras miúdas.
Sou menor.
Não aprendo gente grande infância nenhuma.
O prazo avançando, o tempo inexistindo, e eu ali..
na beira sem cair,
no sal sem ser mar,
flutuando sem voar,
molhando sem correr pro rio
A filha que esqueceu de te chamar de mãe
Toda água, minando, segurando o jorro com a violência da palavra mal-dita.
Abecedário incoerente. Farpas de interpretação,
falhas de cognição.
Não faço. Não sinto. Não sou.
Essa sou eu.
sábado, 31 de agosto de 2013
"a alma guiará o caminho seco através do molhado"
da peça A Alma Imoral, do livro A Alma Imoral
Achei na memória a lembrança que procurava
Do jeito que busco coisas na mochila vermelha
Aliás, procurei primeiro na sacola, pra depois achar na cabeça!
Não pareceu nada ter voltado ao mesmo lugar, quando fui hoje de novo à mesma peça de meses atrás – eu estava lá de volta, e em outro canto.. – eu de novo, eu outra.. – como descer (ou subir) uma escada em espiral, daquelas antigas e lindas, de mármore e corrimão sendo parte continuada dela, e você-eu olhando a mesma coisa, de outra dimensão, outra altura, outro movimento, outro olhar.. eu-você outro, eu-você de novo
A veste preta, o corpo dito, braços e cabelos em poesia, as palavras vindo, voltando, eu chorava no reencontro que era uma surpresa, um novo espanto
Meus amigos não só me colocam para dormir, não só me vestem.. eles aconchegam o leito, me despem em emoção, providenciam o ingresso, me levam até lá.. porque ando burilando o tempo como posso, e às vezes esvazio-me no meio da rua, e não sei bem onde estava quando aconteceu.. meus amigos me trazem de volta!
De volta, em casa, tento me reorganizar das coisas que perdi, de pessoas a instantes.. o tempo da saudade parece que é isso, uma reorganização de lugares e sentires..
A alma, com toda a sua imoralidade, me chama nua.. estou indo
Achei na memória a lembrança que procurava
Do jeito que busco coisas na mochila vermelha
Aliás, procurei primeiro na sacola, pra depois achar na cabeça!
Não pareceu nada ter voltado ao mesmo lugar, quando fui hoje de novo à mesma peça de meses atrás – eu estava lá de volta, e em outro canto.. – eu de novo, eu outra.. – como descer (ou subir) uma escada em espiral, daquelas antigas e lindas, de mármore e corrimão sendo parte continuada dela, e você-eu olhando a mesma coisa, de outra dimensão, outra altura, outro movimento, outro olhar.. eu-você outro, eu-você de novo
A veste preta, o corpo dito, braços e cabelos em poesia, as palavras vindo, voltando, eu chorava no reencontro que era uma surpresa, um novo espanto
Meus amigos não só me colocam para dormir, não só me vestem.. eles aconchegam o leito, me despem em emoção, providenciam o ingresso, me levam até lá.. porque ando burilando o tempo como posso, e às vezes esvazio-me no meio da rua, e não sei bem onde estava quando aconteceu.. meus amigos me trazem de volta!
De volta, em casa, tento me reorganizar das coisas que perdi, de pessoas a instantes.. o tempo da saudade parece que é isso, uma reorganização de lugares e sentires..
A alma, com toda a sua imoralidade, me chama nua.. estou indo
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
nas águas
Na vida, hoje, ando mais leve
Gripada, mas consciente do meu corpo, sem forçar, em equilíbrio mesmo no desajuste da doença..
quase como dizer ‘eu entendo que você fraqueje agora, cuido de ti, tenho paciência, tenho tranquilidade para vivenciar o incômodos e as dores’
depois seguiremos bem
Não questiono a minha imunidade, não entristeço por meu corpo ter debilitado, nem uso a doença pra me estabelecer na auto-piedade, estou bem.
Tenho comido com mais atenção, e sentido vontade de comer menos.
Tenho olhado mais que andado, pois nos dias de hoje, andar me faz parar, o caminho do sem destino, os pequenos abandonamentos de todo dia..
então paro e olho, pra mim, pra calçada, pra árvore, pros lados de cima.
Há mais ou menos 3 semanas comecei a perceber que meu corpo é uma grande referência pra mim, que acho ele bonito, potente, sensual. Vejo isso no espelho do meu banheiro, ainda não consigo perceber no provador da loja, mas vamos lá, talvez eu não esteja ainda entrando nos provadores certos!
Porque foi isso que comecei a reparar: que a minha beleza é distante da que é vendida na loja, da que passa na revista (anti)feminina,
e com outras belezas ela se encontra, festeja, se fortalece, mesmo que não sejam as mesmas que me habitam.
Quando caminho e meu corpo me sustenta, é lindo, é feminino, é vital!
Aprendi desaprendendo algumas coisas bem importantes sobre mim nestes tempos. (essa coisa de amar meu corpo uma delas).
Ajeito meu corpo aninhado no mundo e passo horas e horas nessa caverna de mim.
Arejo a janela, preciso molhar as plantas, e olhar de longe o que amo.
Do tempo que não é meu, sou de ter saudade..
mas vou andando, de tropeço, tombo ou estações perdidas,
na fé que nem uma faca tem, tem meu coração.
Gripada, mas consciente do meu corpo, sem forçar, em equilíbrio mesmo no desajuste da doença..
quase como dizer ‘eu entendo que você fraqueje agora, cuido de ti, tenho paciência, tenho tranquilidade para vivenciar o incômodos e as dores’
depois seguiremos bem
Não questiono a minha imunidade, não entristeço por meu corpo ter debilitado, nem uso a doença pra me estabelecer na auto-piedade, estou bem.
Tenho comido com mais atenção, e sentido vontade de comer menos.
Tenho olhado mais que andado, pois nos dias de hoje, andar me faz parar, o caminho do sem destino, os pequenos abandonamentos de todo dia..
então paro e olho, pra mim, pra calçada, pra árvore, pros lados de cima.
Há mais ou menos 3 semanas comecei a perceber que meu corpo é uma grande referência pra mim, que acho ele bonito, potente, sensual. Vejo isso no espelho do meu banheiro, ainda não consigo perceber no provador da loja, mas vamos lá, talvez eu não esteja ainda entrando nos provadores certos!
Porque foi isso que comecei a reparar: que a minha beleza é distante da que é vendida na loja, da que passa na revista (anti)feminina,
e com outras belezas ela se encontra, festeja, se fortalece, mesmo que não sejam as mesmas que me habitam.
Quando caminho e meu corpo me sustenta, é lindo, é feminino, é vital!
Aprendi desaprendendo algumas coisas bem importantes sobre mim nestes tempos. (essa coisa de amar meu corpo uma delas).
Ajeito meu corpo aninhado no mundo e passo horas e horas nessa caverna de mim.
Arejo a janela, preciso molhar as plantas, e olhar de longe o que amo.
Do tempo que não é meu, sou de ter saudade..
mas vou andando, de tropeço, tombo ou estações perdidas,
na fé que nem uma faca tem, tem meu coração.
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