quinta-feira, 1 de agosto de 2019

aqui, como se fosse um diário



"Para um instante único
Em que o poema mais lírico
Se mostre a coisa mais lógica"



O que doeu profundamente no domingo ainda vou des-cobrir. Sei que me senti absurdamente inadequada e queria sair dali. Demorei mais do que devia, eu já tinha sentido que não era um bom lugar mais para se estar. Segui aparando algumas arestas, atiçando fogos internos para descobrir minhas chamas e meus apagamentos.
Gostaria de ser menos abstrata mas minha comunicação básica é assim, e eu amo. Às vezes não me faço compreender e sofro, às vezes acho que as pessoas se afastam e agora não lembro de ninguém que tenha se aproximado por isto.

Mas é melhor que eu seja eu mesma pra você poder me encontrar.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

é..


Fome de quê?
Na mesma barriga, minha, um útero recém afirmado e cuidado com amor,
uma sensação de estar preenchida e ter fome de algo que eu não sei o quê.

Fome e saciedade juntas? É.
E a cabeça se desconcerta para entender, processar.
O coração palpita, se acalmando com óleos essenciais
e a minha mão em cuidado e massagem carinhosa.

Tudo minha. Tudo eu.









segunda-feira, 23 de julho de 2018

um bem



Quero oxigênio para as minhas histórias de amor
Fôlego, parar no alto, gemer, suspirar, gozar
Saltar as letras pra escrever desejo. Vestir-me em amor bordado.
Passear.
Rever encantamentos do mundo. Ser doce, ser sincera, me apaixonada.


Dormir, acordar, dormir, acordar.
Uma gangorra para aproximar dos mundos.
Viagens marítimas, viagens astrais.
Invento segredos de mim. Sei, e não conto, tenho medo de que descubro.
Eu plantei esse sorriso.
Espero a colheita, espero, observo, sinto que é tempo.
Abaixar na terra e colher amor.


Aceito chamados para a rua e para as casas.
Quando saio, é de mim, levando pra passear meu silêncio.
Aceito agora beijo, abraço e alegria no corpo.
Tá no Mapa, aceito convites.
Julho é semi-agosto, quase lá.
Participo de cirandas, requebrando desconhecida.
Agora que já sei andar sozinha, quero companhia.


Eu durmo sobre o teu corpo antes dele chegar.
Eu nem sei se ele vai chegar.
Às vezes tenho certeza.. que sim.. que não.
Eu sonho inquieta esta noite.
E quero descobrir quem é você, quem é você na minha vida.
Aquieta-te.
Inquieta-te.
Mas a mim, somente a mim


Não há esquecimento se eu estou presente em mim.
Lembro de quem sou, do que gosto, de quem gosto.
Lembro de sorrir e agradecer.
Lembro que a vida tem gosto bom, e que sonhar gostos novos também é muito bom.
Sonho.
Tempos atrás eu só acreditava que houvesse o perdido, que ninguém mais havia sido inventado.
Era a escassez, a prisão no sofrimento.
Vejo hoje cores, formatos, ritmos.
Sei o que quero. Sei querer.

domingo, 15 de julho de 2018

ondas, marés, brisas


Domingo de sol!


Há tempo para o amor.
Há vontade.
A escrita diz assim.
Meu corpo também, quando encontra o seu, e quando encontra o de outras pessoas.
Para o seu, fui chamada, pelas águas.
Para os outros, sempre há uma alegria, pois falo e penso aqui nos corpos que amo.
Grande família, tribo, que se re-encontra e aumenta cada dia.
De onde eu posso sair sempre que queira, para onde eu posso voltar, com saúde, pros cuidados, pra cuidar.

domingo, 10 de junho de 2018

adiante (não há futuro)


tenho encontrado lugar pra ti, em parte discreta do instante, na estante próxima, mas não muito mexida.
tenho me mexido sem você

tenho olhado pra você, não tão perto, pensamento, e visto alguém com quem vivi o amor, deliciosamente.
entendi o que foi

não sendo mais, já não me faz tanta falta, nem mágoa, ou saudade.
faço por mim coisas bonitas
encantamento nas águas pra vida ser doce de volta, quero re-aprender a do-ser.

quando sei que o amor anoiteceu e não volta a ser manhã, sou dia.
ainda há outros cortes, porque antes havia outras carnes
e tudo o que toca no que já foi ferida mina

mas amores saram amores
dentro de mim o remédio, junto de mim o abraço
como se só agora, diante de tantas voltas, eu pudesse
amar é a colheita

(foto: Nathalia Miranda)



quarta-feira, 9 de maio de 2018

shiruvana


Lembro de mim aos 18 anos, não me importava com o amor (casal). 1986 eu pensava em movimento estudantil, não ligava pra virgindade (nem pra não virgindade), não fumava maconha, bebia cerveja quando tinha dinheiro (poucas ocasiões). Não vivia ou não enxergava uma realidade que parece que ainda era vigente à época, a de que moças deviam casar.

Eu não pensava em casar. Fazia faculdade, ia fazer a Revolução, casar eu não ia.

Passou um tempo e eu me apaixonei. Paixão não é amor, Sagitário tem paixão no altar dos desejos, pega a gente pelo pé, mãos, sexos, poesia, intensidade, finalidade. Eu não ia casar nem pensava no amanhã, mas estava apaixonada e tudo era isso!

O amor dá sinais que é bom parar, ou não seguir por ali, dar a volta, recalcular, desistir do percurso quando o percurso não é bom.
O amor ajuda, ensina. Mas eu não sou chegada a entender esses sinais de prudência, acho que nasci paixão com ascendente em paixão.

2018. Eu casei. Destoei do vestido de noiva, papel, cerimônia. Caí nas ciladas menos óbvias, cipós sociais que nos enlaçam, sem a beleza das árvores da Aline.
Depois separei pra caminhar de volta, fazer o caminho de volta pra mim. Tantas bobagens que eu fiz ou vivi, o amor avisa, eu não banquei escutar o que eu ouvia.

De longe se vê melhor. De fora se entende melhor.
Aos 49 já me importo com o amor, mas a paixão continua sendo a melhor estação das cores. Escuto e vejo tantas ciladas afetivas que uma quarta-feira só não dá conta.

Comecei a escrever pra tentar me entender nesse emaranhado de sugestões que são oferecidas pra hoje na busca do amor, da paixão, do encontro, da junção, companhia, diversão, solidão..
Não sei do meu lugar ainda, talvez não ligue, como aos 18..



















terça-feira, 1 de maio de 2018

quem fica é quem sabe


Quem fica é quem sabe

Da importância de olhar e reconhecer. Eu via o outro como o ser a quem amar, devotar poesia. Há quem se dedique a cozinhar, meu artifício é a palavra. Eu achava que encontrar alguém para amar era pra todo o amor que eu sentia, era pra todas as horas, todos os pensamentos. Eu me sufocava do outro em mim, saco plástico no rosto que eu respirava seca sem ele. Eu era o amor que eu sentia pelo outro.
Mas sim, eu dizia tudo isso em silêncio. Eu dedicava a maior preciosidade, o silêncio, ao amor. Meu coração trinava, mas só eu ouvia aquela cantiga. Eu sabia e pra mim era assim.

Eu fui embora algumas vezes, noutras eles foram. Não lembro de ter pedido ninguém pra ficar, o silêncio inaudível do meu coração vibrando. Quem não ouve o que eu não falo não sabe de mim.

Da importância do tempo. Estou sozinha a noites suficientes pra hoje, de dia, plena luz solar, descobrir o quão importante pra mim foi o amor perdido. De saber a importância daquele cruzar de caminho, cama, bar. Naquela presença, eu soube de mim coisas que eu nunca pude saber. Eu pensava que ele era o caminho – não – ele era o veículo, o trote, a carroça, seus braços. Quanto o perdi, depois que passou o medo, achei que tinha perdido tudo, porque achava que tudo era ele, o amor em mim. O caminho sou eu. Eu sou o cortejo, eu sou a experiência. O outro me sugere, ele me sugeriu a liberdade em mim, no primeiro volume da nossa história.

Eu que fiquei. Posso recordar outros tempos e relembrar o quanto me magoei, por não haver espelho para o meu silêncio, nem delicadeza para o meu amor. Que de tão insuspeito parecia secreto. Eu sabia.
Estou traçando o molde do meu vestido com essas palavras. Busco o caminho certo dos alfinetes, para que não se solte de mim o meu desejo, o meu sonho, a minha beleza, minhas cores escolhidas. Sou, por natureza, triste e colorida. Repinto, por aprender da vida, alegria e as cores das outras pessoas.



Quem me ensina de mim é bem vinda, bem vindo.