tenho me deparado com imagens lindas
e verdades doídas
- de cansaço e de esperança, volto a dormir
tenho me deparado com outros estados,
outras nações nas minhas entranhas
- de medo e tristeza, volto a dormir
tenho me deparado com o passo que para no meio da rua, por não saber pra onde
e
por descaso com a pressa do tempo, que eu agora não sei bem se existe, para certos assuntos
meus amigos me colocam para dormir
tratam-me diariamente,
zelo e proteção
estou coberta de saudade,
e sempre que escuto chover na madrugada, penso: quanto mais, ainda?!
sei que não há medida exata pra mim, só repito pra me dar o limite do que um dia finda
volto a dormir
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
lua desgarrada menina
As luas reviram-se, sangram-me cheias, vivam-me à míngua do amor, e reconhecem-me
o tempo da espera, da conduta, do olhar, do tempo
é aquele que a rede balança, vem sono, vai sono, livros, letras, paragens, precipícios.
o tempo do amor, então, é da escala do indizível, amadurece, anoitece, apodrece, amanhece, recomeçafinda.
Morro e nasço. Não sei mais onde começo, onde posso terminar.
Meu tempo enrugando a pele, aumentando a barriga.
E, ainda assim, não consigo apressar, só olhar.
Comovo-me com o que não foi, com o tudo de mim que não expressei.
Sentei-me, datilografei, fiz vida, pernas abertas e sangra-se filha. filha. filho.
Um dia não haverei mais. Como foi com a minha mãe.
Pra hoje, mesa que eu ainda hei de conquistar no bar
e um sonho, porque em tempo real não tem toda essa graça
o tempo da espera, da conduta, do olhar, do tempo
é aquele que a rede balança, vem sono, vai sono, livros, letras, paragens, precipícios.
o tempo do amor, então, é da escala do indizível, amadurece, anoitece, apodrece, amanhece, recomeçafinda.
Morro e nasço. Não sei mais onde começo, onde posso terminar.
Meu tempo enrugando a pele, aumentando a barriga.
E, ainda assim, não consigo apressar, só olhar.
Comovo-me com o que não foi, com o tudo de mim que não expressei.
Sentei-me, datilografei, fiz vida, pernas abertas e sangra-se filha. filha. filho.
Um dia não haverei mais. Como foi com a minha mãe.
Pra hoje, mesa que eu ainda hei de conquistar no bar
e um sonho, porque em tempo real não tem toda essa graça
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
participação especial
segue a lua
quantas delas?
tanta informação aleatória..
no almoço, na copa do trabalho, desfilam na tela umas meninas de biquini associadas ao esporte
- se os homens jogam bola, porque as mulheres precisam estar de biquini com música boba?!
- se conta pra eles o talento com os pés, porque pra elas o talento com o empinamento da bunda?
estranho
eu não quero o seu ruído
prefiro o seu silêncio
quantas delas?
tanta informação aleatória..
no almoço, na copa do trabalho, desfilam na tela umas meninas de biquini associadas ao esporte
- se os homens jogam bola, porque as mulheres precisam estar de biquini com música boba?!
- se conta pra eles o talento com os pés, porque pra elas o talento com o empinamento da bunda?
estranho
eu não quero o seu ruído
prefiro o seu silêncio
terça-feira, 13 de agosto de 2013
o rumo da lua
Genericamente moldada para transparecer falsas impressões.
Assim, és forte, quando não.
O maior abismo é o de dentro, que, por desvio de imagem, faz-se falso do que é.
A mulher mente.
Eu já fui mulher.
Quando homem, menti também.
Mas a linda música no rádio prefere elas.
Eu também.
Sê-la nessa precipício hormonal, seguidora da Lua em seus-nossos-ciclos.
Sou-me ainda, perdida agora que estou.
Pronta pra negar não sei o que, nesse fim de tarde exaustivo de pesares.
Caminho imprestável, estou sem pés, sem alma, sem tesoura, sem desejo.
(ainda bem que existe Marina Lima)
Assim, és forte, quando não.
O maior abismo é o de dentro, que, por desvio de imagem, faz-se falso do que é.
A mulher mente.
Eu já fui mulher.
Quando homem, menti também.
Mas a linda música no rádio prefere elas.
Eu também.
Sê-la nessa precipício hormonal, seguidora da Lua em seus-nossos-ciclos.
Sou-me ainda, perdida agora que estou.
Pronta pra negar não sei o que, nesse fim de tarde exaustivo de pesares.
Caminho imprestável, estou sem pés, sem alma, sem tesoura, sem desejo.
(ainda bem que existe Marina Lima)
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
jeito do tempo
depois desse silêncio
todo esse silêncio
quando vem a calma
vem a paz
vem a taça de vinho
vem a música devagar
vem o tempo do jeito que eu sei o tempo
tenho vontade de dizer:
"meu cheiro tem o cheiro dele dentro"
todo esse silêncio
quando vem a calma
vem a paz
vem a taça de vinho
vem a música devagar
vem o tempo do jeito que eu sei o tempo
tenho vontade de dizer:
"meu cheiro tem o cheiro dele dentro"
sexta-feira, 17 de maio de 2013
fineza
Num papel que diverge
derreto o meu sorriso
Da chuva fina, a solitude
Do fogo, queima-se o entendimento
Mas sou também sugestões, sugiro-me.
Escapo-me trecho de música, pedaço de poesia: Marina Lima no canto do espelho, sereia nua do meu sonho homem-mulher.
Erótica essa sensação de sermos sexo em pensamento. Pois estou só e a minha Lua nem sei qual foi.
Uma parafernália entre ideias, sugestões e ilusões. Minha propriedade vai da (minha) cabeça aos (meus) pés. Muitos quilômetros diluídos na estrada, poeira do pensamento, caminho que até cansa, mas não desisto. Esse é o único território pertencente. O resto é coração e coração é andarilho, nômade e não tem rota de domínio.
Folha fina não quer me dar limite. Quer me dar leveza. Vento amarrado à memória.
História de amor não fala só de nós dois.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
não sou caça

(da Ana, da maison)
Comprei uma mesa no bar.
Primeiro eu era muito muito solitária e o isolamento me vestia
Depois comecei a ficar saidinha, saia curta e sorriso besta
Aí saí cantarolando, passeando, me vivendo, me achando
Até o dia em que comprei a mesa que já falei!
Vieram umas pessoas. Amigos. Fiquei de cara em conhecer esse tipo tão especial de gente: os amigos!
Depois, uma vez uma cadeira vazia, outros tipos. Amigos dos amigos que eram amigos também!
Botei toalha de chita colorida, bancos junto às cadeiras. Fui sendo..
Mas fui sendo cada vez mais eu. De outros lugares de mim, mais de mim.
Chinelos, cabelos, olhares. Gosto mais de abraçar os corações.
E chegou a brincadeira da poesia, e do amor que nasce aqui!
Toco então quem quero, pego a mochila e volto pra casa
Às vezes não é pra ser muito, e nem naquela hora.. às vezes é só pra olhar um pouco e ir embora.
Comprei uma mesa no bar.
Mas faz tempo que não vou lá..
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